segunda-feira, 23 de setembro de 2013
O MEU ROMANCE POLICIAL
Interrompi a contribuição neste blogue, quando vinha, com alguma assiduidade neste princípio de carreira, a marcar presença com romances e autores policiais.
Acontece que, por motivos que se prendem com a revisão das primeiras provas do meu livro (de que mostro apenas o "lettering" da contracapa, por razões editoriais que eu me imponho), não dediquei o tempo necessário à administração e actualização deste espaço.
O livro está, como gosto de dizer, em plena "fornada", uma vez que já tive provas da capa, contracapa e badanas que, a seu tempo, também divulgarei.
Para já, quero antever (mas não profetizar, porque não possuo poderes sibilinos) o interesse dos amigos e daqueles que apreciam os livros de cariz policial e policiário, de forma a considerarem a posse de um exemplar desta minha primeira experiência no "ramo", consubstanciada em cerca de duzentas páginas. Para uns - ou para todos - a consideração que os leve a ler e, eventualmente, a criticar e a enfatizar, o que de bom, de mau, de excedente ou de minguado, a obra tiver. Porque a amizade não se faz após um aperto de mão, a convivência de tempo passado ou após um "muito gosto em conhecê-lo" ; aquela faz-se, muitas vezes, na distância, possivelmente até no clicar do "enter" no teclado à nossa frente.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
MAIS UMA ESCRITORA DE POLICIAIS - MIGNON GOOD EBERHART
Já referi a minha simpatia pelas mulheres que escrevem policiais; assim como já teci elogios às capas de Cândido Costa Pinto.
Sendo assim, trago dois livros da escritora americana Mignon Good (por casamento Eberhart), com uma vasta obra de sete dezenas de romances, dos quais apenas conheço, com tradução portuguesa, os dois editados pela Livros do Brasil - o nº 36 - Um Drama no Atlântico e o nº 76 -Um Cigarro Misterioso.Vamos por partes.
A tradução do primeiro, - que foi traduzido directamente do original americano - esteve a cargo de Baptista de Carvalho. Estranho, porém, a tradução do título, que no original é "Five Passengers from Lisbon" e aqui ficou como "Um Drama no Atlântico". A coisa repetiu-se no segundo, desta feita traduzido pot Elisa Lopes Ribeiro, cujo título original é "Never Look Back" (Nunca Olhar para Trás) e verteu-se em português "Um Cigarro Misterioso".
As capas são quadros, designadamente a do "Cigarro Misterioso", que tem uma composição surrealista de grande qualidade. Como quadro, não o desdenharia numa parede.
Sobre a autora, que viveu até aos 97 anos (1899-1996), sabe-se que antes de começar a escrever romances policiais - o que fez quando tinha 30 anos - exerceu como jornalista freelance. Casou com um engenheiro, Alanson Eberhart, de quem recebeu o apelido, que nunca abandonou, mesmo quando se separou dele, em 1946, desta feita para casar com John Perry. Neste segundo casamento "aguentou" dois anos, findos os quais voltou para o primeiro marido, casando de novo com ele. Talvez, por isso, não tenha abandonado o apelido Eberhart nas suas obras.


terça-feira, 17 de setembro de 2013
CHANDLER, HAMMETT e DENBOW
Já aqui falei de Raymond Chandler e já falei também de Dashiell Hammett, ambos escritores de romances policiais. Imagine-se que, desta feita, vou falar destes escritores como personagens de um romance policial!
Se dúvidas houver, bastárá ler um livro suegstivamente intitulado "Chandler", tanto no original como nas traduções. É da autoria de outro escritor de romances policiais, William Denbow (pseudónimo de Georges Stiles), que resolveu envolver os dois colegas de arte nesta teia onde há violência e muito álcool.
Quase todas as críticas que li, em inglês, não são favoráveis, tais como esta, recolhida de Biil Crider:
The blurb
on the back cover is from Peter McCurtin, who says, "A wild idea but it
works. The writing is smooth, the action violent." The last statement is
true. Everything else is a lie, including the words "a" and
"the." (You know who I stole that from, right?) The writing is awful,
and the idea doesn't work at all. If you want to find out why Hammett was such
a success, read Chandler, where everything goes wrong. Instead being published
by a big-name hardover house, Chandler came from Belmont-Tower, one of the
really low-end paperback publishers.
Possuo um exemplar da edição portuguesa (e brasileira) das Edições Europa América, inserido na colecção Clube do Crime (nº7), de 1982.
Da sinopse, posta em contracapa, pode ler-se:
"Não existia a mínima cordialidade entre Dashiell Hammett e Raymond Chandler , dois dos maiores escritores que a América jamais produzira, mas quando Hammett foi ameaçado por um assassino vingativo, Chandler não hesitou em intervir, mesmo que não fosse bem-vindo. Hammett necessitava de auxílio, porque estava adoentado, bebia em excesso e não efectuava o mínimo esforço para se manter vivo. Chandler, à semelhança do seu herói - Philip Marlowe - muniu-se de uma pistola e preparou-se para um duro combate."
Pois bem, nem sei o que dizer sobre este aproveitamento de dois nomes da litaratura policial para se forjar um romance do género. A ideia pode ser boa, mas não me parece que o caminho para a atingir fosse o mais apropriado. Com personagens "reais", nunca se sabe onde começa e acaba a ficção. Há ali, nesta obra invocada, uns equívocos que baralham o leitor e não são efectivamente o retrato dos dois grandes escritores, pois ambos não saem beneficiados desta fotografia tremida. A própria capa da edição americana traz a ilustração de um "Chandler" que não é mais do que a do actor Ralph Byrd, de Dick Tracy.
A tentativa não é inédita, pois há uma outra obra intitulada "Hammett" da autoria de Joe Gores, que eu não li.
Para não influenciar, deixo ao critério de quem quiser ler esta obra uma possível crítica. Talvez ainda alguém caia na ideia de querer fazer um romance policial onde entrem, como personagens do tablado escrito, Dick Haskins e Dennis McShade (para os menos atentos, pseudónimos dos escritores portugueses António Andrade Albquerque e Dinis Machado).
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
PATRICIA HIGHSMITH, OS GATOS E O MISTÉRIO
Sempre me fascinaram as mulheres escritoras; mais me fascinam as mulheres que escrevem policiais e romances de mistério policiário; fascinam-me, sobretudo, as mulheres que gostam de gatos.
Patricia Highsmith adorava os seus gatos (na foto, com um siamês, que me lembra o meu "Fadista"), com quem vivia nessa solidão que se impôs, apesar de muitos romances conturbados na vida real, a maior parte com outras mulheres.
Era uma mulher bonita, talentosa e solitária. Essa solidão, que ela escolheu, permitia-lhe criações literárias de grande valor, fruto do seu talento e do seu método rigoroso de trabalho (impunha-se escrever dez páginas por dia).
Um dos grandes filmes de Hitchcock - Strangers on a Train (1950) - resulta precisamente dessa imaginação precoce e febril, que caracterizava os seus romances e contos policiais, onde o amor e o desamor seguem paralelamente ao crime e, a dada altura, se cruzam.
Há outra particularidade em Patricia que me agrada: gostava de banda desenhada. Segundo a biógrafa, Joan Schenkar, durante sete anos, antes mesmo de
se tornar famosa como romancista, Patricia Highsmith escreveu, em segredo, para
clássicos de banda desenhada americanos, nos quais, no dizer da biógrafa " a figura do alter ego - basta
pensar em Superman e Clark Kent - era a sua marca registada".
De entre os livros que possuo de Patricia há um interessante exemplar da Colecção "Mestres Policiais" que a revista Visão resolveu editar no dealbar deste século XXI (2000). Fê-lo com tiragens assombrosas (100.000 exemplares), numa curiosa parceria com uma marca de chás. Essa colecção abriu com "O Álibi Perfeito", título que é o da primeira de 5 belas novelas (ou contos), inseridas neste pequeno volume de 96 páginas, cartonado - o Álibi Perfeito; Não se Pode Confiar em Ninguém; Variações de um Jogo; Uma Segurança Assente em Números; Maquinações.
Boa iniciativa a da Visão; pena que não tivesse continuidade, independentemente dos apoios de chás, cafés ou laranjadas.
sábado, 14 de setembro de 2013
MAIGRET E O CLIENTE DO SÁBADO
Porque hoje é Sábado, nada melhor do que trazer a este repositório de romances policiais um dos livros de Georges Simenon, apresentado no nº 561 da Colecção Vampiro, com o título "Maigret e o Cliente do Sábado", edição com data de 1994, que me custou, na altura, 472$50 (cerca de 2,36 Euros), valor que não veio da memória, antes da anotação do livreiro, a lápis, na primeira página do livro.
Trata-se de mais uma das investigações do já muito celebrizado comissário da polícia Maigret, homem com grande poder de dedução e um grande apreciador de cerveja.
Em resumo (recolhido no verso da capa do livro, como o pode ser nas últimas páginas da edição anterior da colecção- "A Mina Fantasma", de Frank Gruber), "um certo Léonard Planchon tinha ido, pelo menos, cinco vezes procurar o comissário Maigret ao seu gabinete do Quai des Orfèvres e sempre num sábado à tarde. Passaram, por isso, a chamar-lhe o cliente do sábado. Mas como nunca fora bem sucedido, acabou por ir a casa do comissário e finalmente, embora atrasando o jantar do casal Maigret, revelou o motivo das suas insistentes visitas: "A minha intenção é matar duas pessoas: a minha mulher e o amante. Preparei tudo nesse sentido, estudei os mínimos pormenores para não ser apanhado..." E é assim que Maigret irá dar início a mais um dos seus casos investigando um crime que talvez não tenha sido cometido."
Posto isto, caso se opte por este - ou por outro - romance, boa leitura de fim de semana.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013
ELIZABETH HAYNES
Fico sempre atento à literatura policial, principalmente quando o nome do autor corresponde ao género feminino. Acho que as mulheres têm uma especial capacidade de dedução e fantasia, uma proverbial imaginação - não fossem elas, todas elas, capazes de cativarem o mais bisonho do sexo oposto, desde o pelado Adão - a que aliam um bom senso natural, conseguindo apresentar-nos obras de grande valor literário e, no caso, policial.
Elizabeth Hines é um exemplo. Desse exemplo refira-se o facto de, no seu romance de estreia, arrebatar dois galardões: o Amazon Best Book of the Year 2011 e o Amazon Rising Stars 2011. E não admira que tenha sido bestseller do New Yotk Times.
Pelos vistos, a continuidade de Agatha Christie, Patricia Highsmith, Linda Howard ou Patricia Cornwell está assegurada por muitas senhoras, incluindo a Elizabeth.
A obra distinguida foi lançada, em Portugal, pela Editorial Presença (Junho de 2013), com o título "No Canto Mais Escuro" (Into The Darkest Corner), cujo enredo se resume à história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo constante.
A Elizabeth Haynes tem um site e um blog, que pode ser visto em
http://www.elizabeth-haynes.com/
À entrada, ela recebe-nos com as boas vindas e diz-nos:
"
Thank you for taking the
time to visit my web site. My books are now published in more than 30 countries
around the world and in over 20 languages with more due for release.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
AS CAPAS - DASHIEL HAMMETT - COL. VAMPIRO
Quando vejo um livro policial numa prateleira, numa montra ou em qualquer outro tipo de escaparate, a primeira impressão apelativa é a capa. Normalmente, considera-se que havendo uma pistola ou uma faca, uma mancha de sangue e um cadáver, o género da literatura está identificado. Nem sempre é assim, nem sempre a iconografia policial deve ser assim.
No entanto, hoje trago aqui uma capa que me impressionou bastante, pois é da autoria de Mestre Lima de Freitas (1927-1998), pintor, ilustrador, ceramista e escritor. Trata-se do nº 152 da Colecção Vampiro - "O Homem Sombra" (no original "The Thin Man") - que tem os elementos atrás referidos: um cadável (para impressionar mais, feminino e com sangue) e, na sombra, o "presumível" (é assim que se obriga a dizer) assassino, com a arma na mão. O negro da personagem, a meio corpo e de costas, encontra e dilui-se no negro das tarjas da chancela e da identificação da colecção. O título e o nome do autor, trabalhados pelo Mestre, inserem-se no corpo do "presumível" assassino, com duas cores predominantes, para a lém do negro sobre o branco: o vermelho e o azul.
Podemos comparar esta capa com outras edições. Para mim, a de Lima de Freitas, é a melhor.
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