Já aqui falei de Raymond Chandler e já falei também de Dashiell Hammett, ambos escritores de romances policiais. Imagine-se que, desta feita, vou falar destes escritores como personagens de um romance policial!
Se dúvidas houver, bastárá ler um livro suegstivamente intitulado "Chandler", tanto no original como nas traduções. É da autoria de outro escritor de romances policiais, William Denbow (pseudónimo de Georges Stiles), que resolveu envolver os dois colegas de arte nesta teia onde há violência e muito álcool.
Quase todas as críticas que li, em inglês, não são favoráveis, tais como esta, recolhida de Biil Crider:
The blurb
on the back cover is from Peter McCurtin, who says, "A wild idea but it
works. The writing is smooth, the action violent." The last statement is
true. Everything else is a lie, including the words "a" and
"the." (You know who I stole that from, right?) The writing is awful,
and the idea doesn't work at all. If you want to find out why Hammett was such
a success, read Chandler, where everything goes wrong. Instead being published
by a big-name hardover house, Chandler came from Belmont-Tower, one of the
really low-end paperback publishers.
Possuo um exemplar da edição portuguesa (e brasileira) das Edições Europa América, inserido na colecção Clube do Crime (nº7), de 1982.
Da sinopse, posta em contracapa, pode ler-se:
"Não existia a mínima cordialidade entre Dashiell Hammett e Raymond Chandler , dois dos maiores escritores que a América jamais produzira, mas quando Hammett foi ameaçado por um assassino vingativo, Chandler não hesitou em intervir, mesmo que não fosse bem-vindo. Hammett necessitava de auxílio, porque estava adoentado, bebia em excesso e não efectuava o mínimo esforço para se manter vivo. Chandler, à semelhança do seu herói - Philip Marlowe - muniu-se de uma pistola e preparou-se para um duro combate."
Pois bem, nem sei o que dizer sobre este aproveitamento de dois nomes da litaratura policial para se forjar um romance do género. A ideia pode ser boa, mas não me parece que o caminho para a atingir fosse o mais apropriado. Com personagens "reais", nunca se sabe onde começa e acaba a ficção. Há ali, nesta obra invocada, uns equívocos que baralham o leitor e não são efectivamente o retrato dos dois grandes escritores, pois ambos não saem beneficiados desta fotografia tremida. A própria capa da edição americana traz a ilustração de um "Chandler" que não é mais do que a do actor Ralph Byrd, de Dick Tracy.
A tentativa não é inédita, pois há uma outra obra intitulada "Hammett" da autoria de Joe Gores, que eu não li.
Para não influenciar, deixo ao critério de quem quiser ler esta obra uma possível crítica. Talvez ainda alguém caia na ideia de querer fazer um romance policial onde entrem, como personagens do tablado escrito, Dick Haskins e Dennis McShade (para os menos atentos, pseudónimos dos escritores portugueses António Andrade Albquerque e Dinis Machado).


























